Atualmente, existe uma grande diversidade de estilos e gêneros musicais na América Latina, advindos de formas híbridas, desde o séc. XIX. A influência norte-americana e européia continua como presença forte, mas há também grande interação entre os estilos próprios dos países latino-americanos.
Para José Ramos Tinhorão, em seu livro “Pequena história da música popular: da modinha à lambada”, em termos de criação de novos gêneros de música popular, há duas formas de influência que explicam a maior ou menor semelhança de um estilo com o equivalente de outro país. A primeira forma é a imposição do modelo de cima para baixo, de fora para dentro, por meio da massificação do som pelos meios de comunicação. A outra forma é a aceitação natural do gênero estrangeiro pela semalhança das características culturais dos povos envolvidos no processo.
Para ele, a influência surgida de forma induzida é uma interferência, quando não uma violência cultural. No caso da assimilação do modelo, que logo é recriado, seria um acontecimento natural e compreensível, muitas vezes enriquecedor.
Um exemplo de assimilação é o que ocorreu com a guarânia no Brasil, recebida na fronteira com o Paraguai, e a lambada, criada no Pará, tendo como base o merengue caribenho, que foi adaptado. Nesses dois casos, houve uma influência natural e democrática, pela ligação “subterrânea” histórica entre os povos envolvidos.
Suzana Coutinho
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