A América Latina é formada por 20 países, localizados desde a fronteira sul dos Estados Unidos até o sul do Continente, até a Terra do Fogo, no território argentino. Nessa faixa de terra, habitam 660 milhões de pessoas, segundo dados de 2022, da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe, órgão das Nações Unidas. Essas pessoas, com suas histórias de vida, suas lutas, dores, conquistas e sonhos, é gente que pensa, produz e consome, entre outras coisas, cultura musical. Parte dessa cultura é organizada pela indústria da música. Cantoras(es), compositoras(es), instrumentistas, produtoras(es), técnicas(os) e muitos outros profissionais e trabalhadores fazem parte desse setor.
Economicamente falando, só em 2022, essa indústria movimentou US$ 1,300 bi (um bilhão e trezentos milhões de dólares), conforme relatório da Federação Internacional da Indústria Fonográfica. Há ainda os grandes festivais como o Lollapalooza, realizado em alguns países da América Latina, como Argentina e Chile, que apresentam os artistas latino-americanos dessa nova tendência, inclusive. Também as premiações já conhecidas do grande público, como os Grammy Latinos e os Premios Billboard
Um dos fatores que contribuiu para isso é a ascensão da música latina no mercado globalizado, impulsionado agora pelo streaming, como divulgou em sua pesquisa, para a Escola de Comunicações e Artes da USP, intitulada “A Ascensão da Música Latino-Americana em Meio às Plataformas de Streaming”, de 2022, Saara Lacerda de Paiva.
A música latina cantada em espanhol voltou aos hits de grandes mercados fonográficos de várias partes do mundo, mas, principalmente, nos Estados Unidos da América. Se antes o movimento era de cantores e cantoras latinos cantando em inglês, para conquistar o público norte-americano, parece que há, nesse momento, uma mudança de paradigma: cantores e cantoras, de origem latina, que iniciaram cantando em inglês, decidiram por conduzir suas carreiras cantando em espanhol.
Os ritmos continuam se hibridizando. Os sons caribenhos se misturaram com o rap, surgindo o reggaeton, como explica o pesquisador Yuji Gushiken, em artigo publicado no XXXVII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, em 2014, intitulado “Cartografias do reggaeton: Mainstream na América Latina, marginal no Brasil”. Essa mistura se deu entre os filhos e netos de imigrantes latinos nos EUA, principalmente. Ao mesmo tempo que pertencem à cultura norte-americana, assim como o rap, acessam as raízes culturais de seus familiares e criam outras possibilidades de produção e consumo musical. Esses novos produtos culturais recebem o rótulo de música latina urbana, ganhando premiação própria no Grammy Latino, por exemplo.
A techno cumbia também ampliou seu espaço entre as produções atuais. O ritmo, já uma hibridização da cumbia tradicional com outros elementos musicais, se espalhou por vários países, inclusive nos Estados Unidos da América.
Hoje, entre os artistas que se destacam nessas novas tendências estão o Grupo Frontera, Kevin Flores, Mr Black, Maluma, J Balvin, BeckiG, Karol G, Rosalía, Bad Bunny, Daddy Yankee, Camila Cabello, Romeo Santos, Lana Del Rey entre outros.
Suzana Coutinho
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